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Os Caminhos para a Excelência Profissional/Gerencial

O CESDE é um multiplicador de idéias, de conceitos, de perspectivas, de sensibilidades que celebram a paixão pela descoberta, a sensação de se encontrar inserido no processo do mundo a que cada um pertence. E, ao retornar à sua organização, aquele que viveu todo este processo, reconhecerá em si um ângulo de nova sensibilidade que fará com que busque sempre para o seu cotidiano objetivos superiores.

Nossa equipe de colaboradores se completa em seus círculos de trabalho por uma alquimia que revela longa vivência, sabedoria, experiência, conhecimento e maturidade só permitidos por dilatado tempo de dedicação aos estudos específicos de sua área. Participar dos nossos eventos propicia, por isso, a ampliação do olhar e da criatividade, levando à ruptura com o cotidiano, com o repetitivo, com a monotonia, em uma palavra, com a rotina e o senso comum.

Entendemos que a inteligência fragmentada, compartimentada, mecanicista, linear, reducionista rompe a complexidade do mundo, reduzindo este a fragmentos, fracionando os problemas, separando o que tem ligação sutil, unidimencionalizando o que é multifacetado. É o predomínio de uma inteligência míope que termina, na maioria das vezes, em pura cegueira, por não perceber que todas as manifestações, em todas as áreas, ocorrem em rede.

Saber é saber-se limitado, mas é também saber que tais limites são elásticos e podemos alcançar muito desde que a educação seja permanente como projeto de vida e não apenas alguns anos dedicados à busca de um diploma.

Conceitos

Os conceitos que regem a atuação do CESDE

A proposta de Educação Permanente que consta dos Seminários oferecidos pelo CESDE - Centro de Educação Avançada - por sua forte orientação cultural, em que filosofia, arte e ciência são as bases para o entendimento das questões gerenciais, empresariais, sociais e políticas, se distingue dos clássicos eventos de treinamento gerencial.

Sua abordagem inédita do mundo que nos cerca estimula a criatividade e contribui para a integração harmoniosa dos participantes em suas empresas e em seu ambiente vivencial.

Na verdade, é um catalisador de eficácia em todos os níveis. Ao longo de quase trinta anos de atividades, ficou claro que os Seminários conduzem a uma melhora rápida e eficiente da comunicação, tanto no universo interior, como no exterior das empresas.

O Centro de Educação Avançada propõe que a Educação seja permanente, no sentido de ampliar, sistematicamente, a compreensão da complexidade da vida e do mundo.

Arthur Pereira e Oliveira Filho
Diretor

Raciocínio

O raciocínio concreto e o abstrato

O problema da compreensão tornou-se crucial para os seres humanos. Portanto, deve ser uma das finalidades da Educação.

Ensinar a compreensão entre os seres humanos é a condição e a garantia da solidariedade cultural, intelectual e moral da humanidade. A Educação de alta qualidade não pode contemplar apenas o lado "objetivo" e "técnico" do processo educacional.

Esta é, entretanto, a tendência acentuada do ensino no Ocidente. O resultado dessa tendência se traduz na visão limitada e estreita que o corpo profissional tem de si mesmo, da própria organização e de suas infinitas potencialidades. Em conseqüência, vê-se tudo de forma fragmentada o que impossibilita uma compreensão do mundo, das suas entrelinhas e do conjunto.

A nossa cultura não sabe dar conta do imaginário, esquecendo que ele está presente na própria ciência, empobrecendo, assim, a inteireza na formação do Homem.

O resgate dessa inteireza é indispensável. Ela é que possibilita ao Homem, mais do que acumular informações, criar a partir delas, somando saber ao fazer e o racional ao imaginário.

Não cabe mais ao professor passar apenas informações, contar o como fazer, mas sim estimular a curiosidade, o pensamento, o raciocínio, a compreensão do processo, o entendimento da relatividade das coisas, o entusiasmo pelo conhecimento e o desenvolvimento da sensibilidade.

Inteligência

A inteligência fragmentada

Entendemos que a inteligência fragmentada, compartimentada, mecanicista, linear, reducionista rompe a complexidade do mundo, reduzindo este a fragmentos, fracionando os problemas, separando o que tem ligação sutil, unidimensionalizando o que é multifacetado. É o predomínio de uma inteligência míope que termina, na maioria das vezes, em pura cegueira, por não perceber que todas as manifestações, em todas as áreas, ocorrem em rede.

Tal fato destrói, na raiz, as possibilidades de compreensão e de reflexão, reduz a chance de um julgamento corretivo e de uma vida a longo prazo dedicada ao saber que nada mais é do que saborear o banquete de criações humanas. Igualmente, quanto maiores se tornam os problemas multidimensionais, maior é a incapacidade de se pensar suas múltiplas expressões. Quanto mais se alastra a crise, mais progride a incapacidade de pensar a crise. Quanto mais os problemas se tornam planetários, mais são ignorados, incapazes que somos de perceber o contexto e o complexo mundial. A inteligência torna-se cega, comandada por meios de comunicação que trabalham sobre o senso-comum, e tudo isso converge para uma espécie de anestesia mental e sua conseqüente irresponsabilidade.

Segundo Thomas De Koninck, da Universidade Laval, Canadá, a Nova Ignorância, a mais perigosa de todas, diz respeito à ignorância do humano e da dignidade.

Maturidade

A maturidade para ampliar a visão de mundo

Toda vez que você encontrar um adulto, adulto em termos cronológicos, que pensa que aprender ou estudar é trabalho, permita-nos dizer que você encontrou alguém ainda sem suficiente maturidade em sua visão de mundo. Um sinal de que cresceu é que você não encara mais o estudo ou aprendizagem como tarefas enfadonhas e sim como processo vital permanente de renovação de parâmetros e posturas.

Na medida em que a aprendizagem ou o estudo contiver aspectos compulsórios, você ainda estará na condição servil e utilitária. A característica da verdadeira aprendizagem adulta é aquela que não tem nenhuma referência a trabalho e nenhum sentido de obrigação, ou seja, que não busque um resultado pragmático e imediato. É voluntária, motivada por sua visão que o torna insatisfeito com o estágio atual e quer sempre avançar mais um passo. A Educação humanística no nível adulto pode, por conseguinte, ser superior áquela encontrável nas escolas, onde a aprendizagem é identificada com o trabalho como preparação para o mercado, quando sensibilidade, intuição, dedicação aos livros como mola propulsora do cotidiano são totalmente esquecidas.

Saber é saber-se limitado, mas é também saber que tais limites são elásticos e podemos alcançar muito, desde que a educação seja permanente como projeto de vida e não apenas alguns anos dedicados à busca de um diploma.

Sensibilidade

A educação humanística para o desenvolvimento da sensibilidade e sua contribuição para o dia-dia profissional

Não bastam mais os elementos técnicos para o bom desempenho em qualquer área.
O futuro exige que sejamos antes de tudo ‘humanos”, o que requer uma profunda capacidade de analisar criticamente qualquer situação.

Em termos de educação, a melhor maneira de se cultivar o requisito “grandeza” da mente é por meio dos estudos humanísticos, concebidos como aquelas áreas do conhecimento que engrandecem a compreensão e aprofundam o discernimento dos homens em relação tanto a si mesmos, bem como às suas relações sociais que, em seus níveis mais altos, ajudam a desenvolver com sucesso a capacidade de lidar com as idéias abstratas que iluminam mais diversos campos da vida e que possibilitam ter controle sobre o mundo no qual se vive, com mais sabedoria.

E, já que as necessidades dos homens para compreender e ter discernimento nunca são inteiramente atendidas – já que nenhum homem nunca pode garantir que tem toda a compreensão e discernimento de que precisa – ele deveria, cedo na vida, adquirir a prática de se voltar para os estudos humanísticos, o que implica a leitura constante das grandes obras literárias e filosóficas da humanidade, a fim de que pudesse reabastecer continuamente a inteligência e continuar a crescer.
A educação humanística, em suma, deveria ser permanente, ou seja, só é educação aquilo que perdura por toda a vida.

Não se quer dizer com isto que o desenvolvimento do profissional possa ser apenas e inteiramente baseado na educação humanística.

Há, inquestionavelmente, um corpo de conhecimento que todos tëm de ter em seu campo específico de atuação. Ou seja, o caminho de crescimento de um bom profissional consiste de duas vias: o conhecimento profissional geral e particularizado dentro de seu campo de trabalho, o que normalmente se adquire na escola, e o conhecimento profissional prático, apropriado para ser absorvido “no trabalho”.

E é neste ponto que argumentamos que os estudos humanísticos acrescentam uma dimensão nova à visão de mundo sem o que ele será apenas um autômato, cumprindo funções que lhe são determinadas, sem ter capacidade de relacioná-las com o mundo em torno.

É este conhecimento, aqui tratado genericamente como humanístico que lhe dará sensibilidade para enfrentar os desafios constantes com os quais se defrontará no dia-a-dia de sua profissão.

Do livro: A educação Humanística para Dirigentes
USA. 1952

Escola de Atenas

O Renascimento é ponto de chegada de um caminho em busca da perfeição. Há novo entendimento do espaço urbano, modelado segundo relações proporcionais e harmoniosas que refletem a nova atitude do espírito: racionalidade, equilíbrio, volta aos clássicos como modelo e reformulação da ótica do mundo. Supera-se o círculo vicioso de trevas e superstições da Idade Média e vê-se o universo como totalidade. O real passa a ser aquilo que está ao alcance do homem. Por isso, o que este cria é elevado, nobre, foge da transitoriedade e de temas banais. O homem descobre a si mesmo e ao mundo. A moldura deste é a base científica e o método, e a obra de arte torna-se um estudo da natureza. Dá-se adeus ao simbolismo metafísico, porque o artista, conscientemente, quer representar os dados empíricos. O ideal de liberdade do pensamento e da consciência, bem como da emancipação do sujeito, é o grande discurso e o impulso para a criação. Assim, a racionalidade reina sobre as ações.

Rafael, um artista sem contradições, nem angústias, estabelece a base para a arte deste tempo, dando às formas sua expressão serena e clássica. Apresenta senso de equilíbrio e um sentido de espaço que vem de Della Francesca. Tem profunda consciência da História no estilo eloqüente de seu trabalho.

A Escola de Atenas, afresco pintado entre 1509-11, só recebe este nome no séc. 17.O título original é Stanza della Segnatura, já que decorava a biblioteca papal e era onde o pontífice assinava os decretos da igreja. Representa uma basílica composta de gigantescos salões, com mármore branco e a cúpula luminosa a criar um halo de espírito absorto no mundo. As arcadas abrem-se para o céu e têm base em colunas firmes, cujo piso vai dar numa escadaria que põe em cena o futuro, um convite ao pensamento, à imersão na cultura clássica, matriz de nosso humanismo. Esta pintura celebra o maior momento do Alto Renascimento. Ali estão representados os filósofos antigos, encabeçados por Platão e Aristóteles, instalados num ambiente de arquitetura grandiosa, na qual a perspectiva é perfeita. Em verdade, é a súmula da história do pensamento grego. Platão e Aristóteles mostram suas concepções filosóficas opostas: com longas barbas brancas, Platão eleva a mão para cima, referindo-se ao supra-sensível círculo das idéias, enquanto Aristóteles volta a mão para baixo, em claro gesto de busca do concreto e do sensível. Platão tem em mãos seu livro Timeu e Aristóteles, sua Ética, como apelo didático para que o espectador nunca perca de vista a necessidade de enraizar-se nestas obras para ter uma visão global dos acontecimentos. Ao lado de Platão está Sócrates em atitude argumentativa. Sentado na escadaria, vemos Diógenes. Em primeiro plano, à esquerda, aparecem Pitágoras e seus seguidores. Os demais personagens são matemáticos, geômetras, astrônomos. Há serenidade no movimento das figuras, uma assembléia imaginada por Rafael para simbolizar a busca racional da verdade.

O que tudo isso tem a ver conosco? Primeiro, devemos recuperar a busca intelectual constante do entendimento do que nos cerca, que foi o impulso da cultura grega. Depois, precisamos renascer todo dia para o espírito crítico por meio da leitura, construindo em nossas vidas arcadas que se abram para o infinito, conscientes de que o conhecimento não se dá só numa época da vida, mas deve ser a espinha dorsal do que fazemos. O quadro de Rafael é de profunda humanização. Na sociedade atual, em que a barbárie impera por todos os lados, a escadaria do pintor nos ensina a subir para o ideal de pesquisa, de troca de idéias, respeito às diferentes opiniões. No afresco, ninguém se deixa levar pela passividade: estudam, demonstram, refletem. É este renascimento que devemos trazer para o cotidiano, na esperança de humanizar o homem. Leitura, estudo, pensamento auxiliam na tarefa de nos entender e entender o outro. Isto é o que está estampado em A Escola de Atenas, na qual temos de ingressar com espírito aberto e faminto pela ampliação de horizontes, como as arcadas, na sua imponência, dilatadas ao que foi e ao que virá. Rafael nos diz: a civilização está no pensamento, no esforço para nos enfronharmos nas mais diversas linguagens, no centro da qual desponta a filosofia, tão ausente hoje em nosso mundo pragmático e empobrecido pela banalidade do consumo.

Texto escrito por
Paulo Venturelli

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